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terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Ameba devoradora de cérebro" mata dez pessoas


Um parasita transmissível pela água, conhecido como 'ameba devoradora de cérebro' matou dez pessoas na maior cidade do Paquistão, Karachi, informou hoje um representante paquistanês na Organização Mundial de Saúde (OMS).
O responsável do sistema de alerta rápido de doenças da OMS no Paquistão, Musa Khan, disse que as mortes foram registadas na cidade de Karachi entre março e setembro. "Não há necessidade de pânico", sublinhou o responsável, alertando que as hipóteses de esta doença se espalhar são remotas.
Khan explicou ainda que as autoridades municipais lançaram uma campanha na zona para assegurar o abastecimento de água potável aos residentes e que as autoridades de saúde estão a empreender uma campanha de sensibilização para educar a população e os médicos de Karachi sobre a doença.
A ameba, de nome Naegleria fowleri, vive em águas mornas e pouco limpas e pode infetar o sistema nervoso humano, embora raramente ocorra. Nesses casos, é difícil de tratar e pode levar à morte em cerca de uma semana. Khan afirmou também que normalmente as pessoas não são afetadas pela forma mais grave da doença por beber água, mas sim por nadar em águas sujas ou por limpar o nariz com água contaminada.
A mesma doença já matou noutros países como nos EUA, onde um norte-americano que ensinava a filha a nadar num lago do sudoeste do estado do Indiana morreu em setembro, semanas depois de ter sido infetado. Waylon Abel, de 30 anos, foi admitido no hospital com dores de cabeça, náuseas, vómitos e febres. Foram-lhe administrados antibióticos e regressou 12 horas depois, tendo sido diagnosticado com meningite bacteriana. Em julho, um rapaz morreu na Carolina do Sul com esta infeção cerebral rara, segundo as autoridades de saúde norte-americanas.
Os centros para a prevenção e controlo de doenças dos Estados Unidos registaram 32 casos de infeção foram registados no país entre 2002 e 2011. Apenas uma pessoa sobreviveu dos 123 casos conhecidos nos EUA entre 1962 e 2011

Fonte: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2818567&seccao=%C1sia

Terra, água e estresse hídrico


[EcoDebate] A água é um dom do Universo e um bem escasso. Nenhuma espécie animal ou vegetal vive sem água. Porém, o ser humano está maltratando, poluindo e superexplorando as fontes limpas de água doce, além de estar sujando, danificando e acidificando os oceanos. Diversos países do mundo, especialmente no Oriente Médio e a China, estão esgotando suas reservas de água subterrâneas mais rapidamente do que elas podem ser repostas.

As pessoas pensam que a água é um bem abundante porque ela cobre 71% da superfície da Terra. Todavia, o Serviço Geológico dos EUA produziu uma imagem comparando a quantidade de água total, a água doce e o volume na Terra. Na ilustração, a esfera à esquerda representa a Terra com toda a água removida. A esfera azul à direita mostra o volume aproximado de toda a água da Terra. O minúsculo ponto azul na extrema direita representa a água doce disponível no mundo. Ainda segundo o Serviço Geológicos dos EUA, outra maneira de visulisar é representando o tamanho da Terra com uma bola de basquete, toda a água do planeta como uma bola de pingue-pongue e toda a água doce disponível seria menor do que um milho de pipoca.

Quando comparado com os demais planetas, a Terra tem uma riqueza imensa de água. Porém, do total dos recursos hídricos, os oceanos abarcam cerca de 97% do volume, restando apenas 3% de água doce para satisfazer as necessidades de todos os seres vivos do Planeta que não vivem nos oceanos. Desta pequena quantidade de água potável, 2,4% estão congeladas nas geleiras e calotas polares e somente 0,6% encontram-se nos rios, lagos e represas.

Mas a população e a economia continuam crescendo e demandando maiores volumes de água doce ao mesmo tempo em que aumenta a poluição provocada pelos esgotos e resíduos sólidos. O Rio de Janeiro, por exemplo, que é um município que sediou duas Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente (em 1992 e 2012) e mesmo sendo uma cidade que tem “rio” no nome, não tem respeitado os seus cursos dágua, pois transformou o rio Carioca, o rio Maracanã e outros em verdadeiros esgotos a céu aberto. A Baia da Guanabara virou “Pinicão da Guanabara”.

Contudo, ao invés de aprender a lição e reconhecer que a água doce da Terra é uma riqueza limitada, o ser humano tem ido buscar o precioso líquido nas reservas subterrâneas, passando a superexplorar os aquíferos.

Segundo o hidrologista canadense Tom Gleeson existe um aumento do estresse hídrico no Planeta. Dentre os países que mais superexploram suas reservas de água subterrânea estão: Estados Unidos, Índia, China, Paquistão, Irã, Arábia Saudita e México. Os três primeiros são os países mais populosos do mundo e já estão sofrendo as consequências das secas e da falta de água para sustentar as atividades antrópicas e garantir a biodiversidade e a vida selvagem.

O corpo do ser humano é formado por cerca de 60% de água, mas ironicamente, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo ainda não tem acesso à água potável. Contudo, segundo a ONU, a extração das reservas subterrâneas de água se multiplicou por três durante os últimos 50 anos, proporcionando cerca da metade da água que se bebe no mundo. Mesmo assim, cerca de 1,7 bilhão de pessoas (25% da população mundial) moram nas regiões onde a água subterrânea é superexplorada.

O Brasil é um dos países mais privilegiados do mundo em termos de recursos hídricos. Mas além das áreas do semi-árido do polígono da seca, até cidades com grandes reservas subterrâneas estão sofrendo com o uso inadequado das águas. Em Ribeirão Preto (SP) a falta de ações efetivas para evitar a atual superexploração do aquífero Guarani pode tornar a situação insustentável em pouco anos. Embora o aquífero seja um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, a superexploração pode comprometer o abastecimento de Ribeirão Preto e outras cidades da região.

Além do consumo da população, atualmente os grandes usuários da água são empresas ligadas ao agronegócio, que têm capacidade de perfuração de grandes poços artesianos. Segundo Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente: “Hoje se sabe que em Ribeirão o consumo é 13 vezes maior que a recarga.” No verão de 2012, moradores de 47 bairros das zonas leste, oeste e norte de Ribeirão Preto sofreram com a falta de água, num clima de mais de 40º centígrafos.

Todos estes exemplos mostram que a água pura e limpa, que é uma riqueza com limites inelásticos, está ficando cada vez mais escassa e mais controlada por interesses do lucro. O mercado da água engarrafada é cada vez maior e a comercialização do líquido assume proporções crescentes na economia. Nas grandes cidades brasileiras, duas garrafinhas de água (de 500 ml) custam mais caro do que um litro de gasolina.

O fato é que a humanidade tem monopolizado os recursos hídricos, transformando-os em commodities, sem respeito aos direitos da água e nem ao direito que as demais espécies vivas da Terra devem ter ao acesso às mesmas fontes da sobrevivência. A incrível disponibilidade de água transforma a Terra em um planeta excepcional. A água é a fonte da vida. Sem água limpa e pura não existe possibilidade de sobrevivência, nem no presente e muito menos no futuro.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 19/09/2012
Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2012/09/19/terra-agua-e-estresse-hidrico-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/